quarta-feira, 11 de julho de 2007

Capítulo 1 - Uma xícara de café.

Capítulo 1 - Uma xícara de café

"Estou com sono." sem dúvida, é a primeira coisa que penso quando acordo. É engraçado como temos respostas automáticas para cada situação em nossas vidas e preferimos usá-las a pensar em algo realmente conveniente. A resposta automática geralmente é motivada pela preguiça, contudo, se tratando dessa resposta, em específico, podemos acrescentar também a ressaca e a puta dor de cabeça que comecei a sentir no momento que aquele maldito despertador tocou.

"Sim, sim, eu sei. É hora de acordar, porra!". Ouço o que digo, e reconheço que meu timbre de voz, naquele momento, é digno do Darth Vader.

Desligo rapidamente aquele barulho infernal, o único capaz de me acordar. Vejo com muita dificuldade, e ainda deitado, apenas um feixe de luz que vindo da fresta da persiana, ilumina parcialmente a bagunça sobre meu criado-mudo e principalmente meu rádio-relógio, o qual marcava 6:02 da manhã.

"Gostaria que as manhãs tivessem pelo menos mais três horas". Agora com o meu cérebro funcionando melhor, penso no que acabo de dizer e me questiono se adiantaria mesmo, minha manhã ter mais três horas extras. Certamente continuaria a dormir e a pedir três horas mais. Vejamos, é só mais uma resposta automática. Devo estar ficando bom nisso.

Sinto um cheiro insuportável vindo do chão ao lado da cama e penso: "Maldito Jack! Maldito Daniel's".

Entendo a necessidade humana de fugir dos problemas, mas me espanto toda vez que a sinto. Tentar entrar em um estado onde as coisas ficam mais fáceis e nada e nem ninguém poderiam te acertar. Você se torna invencível, e é assim, com este sentimento que você começa a ficar mais vulnerável. Claro, você não sabe que está perdendo o controle e é assim que as coisas começam vir água a baixo.

Na noite anterior, estava tentando me encontrar. Pensar nas coisas que deveria ter feito e nas coisas que fiz e portanto achei que seria uma boa ideia tomar alguma bebida. No começo, você age com prudência, mas depois de um copo, vem sempre outro, e mais um. Você está no meio da lama, sabe seu fim, mas não se preocupa no início. Irônico, não?

"Merda, estou atrasado. Tenho que levantar agora!". Cortando meu próprio pensamento, relembro o inadiável compromisso que tenho com o presidente da Nikkon Tech, uma corporação tecnológica japonesa e a MCZ Consulting, a maior consultoria de mercado do pais, e na minha opinião uma das piores prisões de executivos já conhecida.

Eu já havia mediado diversas grandes empresas que tinham o interesse em sugar o dinheiro do povo e definitivamente a Nikkon Tech está se empenhando ao máximo para realizar essa tarefa. A minha função como funcionário do governo é permitir que ela consiga sem nenhum problema.

"A ignorância é uma benção, e pode salvar sua vida", é o que escuto ao atender uma chamada não identificada no meu celular três anos atrás. Isso foi o suficiente, somado ao sumiço de Corina, uma estagiária que trabalhava comigo no escritório da auditoria governamental, para que eu deixasse de procurar respostas. Me culpo todos os dias por isso, pois sei que sou o maior responsável pelo seu desaparecimento e que até hoje não fora desvendado. Minha relação com Corina não se limitava aos negócios. Eu a amava. Negros e tão misteriosos, seus olhos, a cada vez que eu os via, eu viajava para um lugar onde apenas meus desejos poderiam chegar. Minha estrela guia era o seu sorriso, o fino traço da perfeição que transmitia sua vontade de estar comigo em um lugar longe de qualquer outro lugar. E era lá onde eu sempre a encontrava em meus braços. Não importava quantas horas ou dias eu passasse com ela, era muito pouco tempo. Não sei onde ela está e não sei se está bem, ou pior, se ainda está viva.

Decido levantar, abro bem os olhos e começo a enchergar melhor os cantos do meu quarto. Eu via um belo amanhecer, onde estava Corina sorrindo e olhando para mim me dizendo "bom dia". Contudo o que eu via não passava de uma lembrança retratada em um quadro a tinta óleo em minha parede, pintado por Corina, e dado a mim, no dia que fizemos um mês de namoro. Não era sonho. Aconteceu após a primeira noite que passei com Corina e me pergunto se estou sonhando acordado.

Mais uma vez voltando dos meus devaneios começo a me erguer sentando na beirada da cama, onde coloquei e logo retirei meus pés do chão por sentir algo estranho lá. Algo o qual logo imaginei ser o resultado de uma noite banhada a whisky. Enojado, eu olho para o chão e nada consigo ver por ainda haver uma escuridão incomum em meu quarto. Escorrego rapidamente para a ponta da cama sem tocar o chão e imaginando um lugar seguro e menos nojento para colocar meus pés. Satisfeito com a distância ouso colocá-los novamente no chão, porém sinto meus pés tocando minha camisa a qual eu joguei na noite anterior por não suportar seu cheiro azedo de vomito. "Merda! Terei que jogar minha camisa fora". Apoio melhor os pés no chão e sinto minha camisa ficar mais húmida. Desisto de procurar um lugar mais seguro e coloco meus pés por inteiro em cima da camisa. Levanto e tento dar um passo em direção à porta do meu quarto, porém como se o destino não se cansasse de aprontar comigo, escorrego meu pé direito no chão úmido, e caio no chão. Sinto minhas costas e meus braços
umedecerem, e percebo que estão cobertos por aquilo que temia pisar. Assustado, percebo que meus braços estão cobertos de sangue. "O que é isso!?" digo levantando com mais cuidado e vou em direção ao interruptor para acender a luz.

A luz mostra meu quarto e fico paralisado por vê-lo totalmente ensanguentado. "Que merda aconteceu aqui!?". Vejo um volume coberto por um lençol branco ensanguentado em baixo da minha cama. Com cautela me aproximo e me espanto ao ver o que havia debaixo daquele lençol. O corpo de uma bela mulher, o meu amor. Corina, estava morta e ali jogada. As lembranças sobem a tona em minha mente e lágrimas descem de meus olhos até o chão. Fecho os meus olhos e sinto meu coração bater cada vez mais forte. Não consigo respirar, o ar está cada vez mais pesado e minha mente não para de girar, grito o nome de Corina o mais alto que posso mas nenhum som era pronunciado. Com dificuldade corro até a persiana e a abro. Vejo uma imagem confusa onde vários reporteres gritavam perguntas sobre o assassinato de Corina me acusando e xingando. Agora é o frio congelante que sinto penetrar os ossos. Tento correr para a porta do quarto, porém escorrego novamente e bato de costas no chão. Tudo se cala e desaparece. Apenas uma visão que em poucos segundos formam pés de cadeiras e mesas. Sinto uma dor aguda em minha cabeça e alguém segurando meu braço o forçando para cima. Levanto e consigo ver perfeitamente o ambiente que estou. Ouço o barulho dos carros, pessoas conversando, a televisão, o rádio e uma doce voz que vem de uma jovem mulher atrás de mim perguntando "Você está bem?"

"Sim, estou bem, obrigado!" respondo fitando os rostos das pessoas que me olham atentas, me viro até a mulher e logo sou supreendido com um belo sorriso. Retribuo o sorriso com outro. Todos os dias de manhã venho tomar café aqui e ela sempre sentada na mesma mesa perto da vitrine, olhando para fora da loja, e com seus pensamentos em outro lugar. Pedia sempre um capuccino e alguns cequilhos, estes que na minha opnião são os melhores que já comi até hoje. "Bela combinação" digo e percebo que não fui muito claro pela expressão da moça, que disfarçadamente olhava para seu belo vestido. "Bela combinação, capuccino com os melhores cequilhos da cidade". "Eu adoro" e mais um sorriso que me encantava cada vez mais. Sempre tive uma boa empatia, e percebia só de olhar de longe preocupações, felicidades e outros sentimentos nas pessoas. Nunca eram um mistério para mim. Contudo algumas conseguiam disfarçar muito bem suas emoções, e apenas duas eram totalmente misteriosas. Uma delas era Corina, e a outra conversava comigo naquele momento.

"Prazer, eu sou Elisa" disse olhando para dentro de meus olhos, como se pudesse ler todos os meus segredos. Tentei fazer o mesmo, mas nada. "Sou o Kaleu
" respondo meio sem graça por saber o porquê ela começou a rir de um jeito engraçado. "Não ria" digo e começo a rir também. "Meu pai era fã do Superman e minha mãe era apaixonada pelo Christopher Reeve. Você não tem idéia de como este nome me dava problemas na escola" comento sorrindo para ela. "Que belo sorriso" eu penso.

9 comentários:

Thaís disse...

posso ouvir sua voz, seus pensamentos...

Zarnick disse...

Cara, não sabia que você escrevia tão bem, parabéns meu velho, continue assim viu?
E que tal nos auto-encontrarmos com o nosso amigo Jack?dhusa
Mande mais textos, lere-lo-eis (essa foi boa ein?) com gosto.:D

E mais uma vez, parabéns.

Nina disse...

Hum...

Te achei??

XD

=P

Anônimo disse...

"...para cada situação em nossas vidas e preferimos usá-las à pensar em algo realmente conveniente."


Não existe crase antes de verbo.


>)

Dan Ribeiro disse...

Valeu Anonimo... correção feita!

Anônimo disse...

Vejo que a sua criatividade parece ter morrido junto com a moça.

Onde estão os novos capítulos...?

Ana Almgren disse...

Dan, seu monstro!
Pq vc matou Corina?
:)
Uma grata surpresa seu texto, viu?
Amei.
Bjs

Raes disse...

Loko...

cadê o resto???

Bia Cutia disse...

Bom, só pra constar que eu li :P

Impressão geral: bom. Erros de português, você já sabe que tem. Quando eu tiver um poquitcho más de disposição (não posso mentir dizendo que não tenho tempo, você não iria acreditar mesmo), vou te mandar uma revisão completa e mais algumas sugestões estilísticas. Continue, continue, que a história até tem um pouco daquilo que dizem dos livros do Dan Brown (que eu não li, porque como você também sabe, não faz o meu estilo): rédeas que te prendem até o fim da história... Vai longe, moço.